2000 a 2007
COCA-LIGHT? USOS DO CORPO, RITUAIS DE CONSUMO E CARREIRAS DE “CHEIRADORES” DE COCAÍNA EM SÃO PAULO
RESUMO
O objetivo desta pesquisa é conhecer os modos e padrões de uso de cocaína inalada na Cidade de São Paulo, levando em conta a “carreira de usuário” e sua “estrutura de vida”. O objetivo específico é conhecer as regras e os rituais de consumo, principalmente para um tipo de uso “moderado e/ou controlado”. Foram empregados métodos qualitativos como observação participante, entrevistas abertas e semidirigidas e uma reentrevista, após 12 anos, com relatos autobiográficos. Os entrevistados (11) foram contatados em diferentes territórios e circuitos “do pó”, abrangendo diferentes sociabilidades, estilos de vida e redes sociais. O material foi analisado segundo a perspectiva de gênero, orientação sexual, curso de vida, geração e classe social. O uso recreativo de cocaína foi a principal forma de uso e de significado desta prática, sendo que há uma minoria faz uso como estimulante, para fins de trabalho. Nestas duas diferentes formas de uso, verificou-se a existência de uma série de regras para auto-regulação do consumo. Após doze anos, a maioria dos entrevistados abandonou (6) o uso e/ou reduziu (2), contudo uma minoria (2) aumentou o uso, sendo que um entrevistado não foi localizado (1) na segunda etapa de entrevista. Pelo fato de ser uma pesquisa qualitativa, os resultados circunscreve-se ao universo pesquisado. A pesquisa revelou o ethos dos consumidores e uma relação entre cocaína, comportamento sexual e a performance de gênero.
1994 a 2000
ETNOGRAFIA DA NOITE - Drogas, Sexualidade e AIDS
Resumo
O objetivo desta pesquisa é conhecer o impacto cultural do hiv/aids nos grupos de risco, particularmente nas redes de usuários de drogas injetáveis de diversas orientações sexuais. Busca especificamente conhecer o impacto do teste positivo na história de vida e nas condições de sociabilidade de usuários de drogas injetáveis. A regulação da população e a disciplina sobre o corpo constituíram os dois pólos de articulação da relação saber e poder na sociedade moderna, denominada por Foucault de “biopolítica”. Pode-se dizer, a partir da perspectiva foucaultiana, que esses dois pólos”, que acabam por minimizar as intervenções terapêuticas visando a um gerenciamento administrativo e preventivo das populações de risco, se constituem numa racionalidade “pós-disciplinar. Isso quer dizer que os efeitos culturais produzidos pela “tecno-ciência” vêm promovendo a formação de novas identidades, e de práticas individuais e grupais, surgidas destas novas “verdades”, constituindo assim uma espécie de “bio-sociabilidade”(Rabinow). A Aids vem provocando um deslocamento tático do “dispositivo de sexualidade” e reorganizando o “dispositivo de aliança”. Nossa hipótese é de que o teste positivo ao HIV modifica as práticas individuais e coletivas de usuários de drogas injetáveis, transforma o discurso sobre o corpo, o prazer (sexo, drogas e etc) e as relações conjugais e familiares. Para a comprovação dessa hipótese, métodos qualitativos foram empregados na pesquisa, tais como observação participante, entrevistas em profundidade, história oral de vida e análise de rede social. Esta pesquisa, portanto, trata do processo de incorporação do HIV nas trajetórias individuais, aponta o papel desempenhado pelas organizações não-governamentais (ONGs) deAIDS na ressignificação do corpo soropositivo e na formação de uma bio-sociabilidade, tentando avaliar o seu alcance no interior das relações de poder no presente desses usuários.
1988 a 1993
A EPIDEMIA CLANDESTINA: AIDS E USO DE DROGAS INJETÁVEIS EM SÃO PAULO
RESUMO
Essa pesquisa procurou desvendar e circunscrever o universo da prática de injetáveis e sua inserção na cultura das drogas, com o objetivo de compreender as complexas rela‡äes entre o uso de drogas endovenosas e a expansão da AIDS no Estado de São Paulo. A etnografia urbana foi realizada no centro da cidade de São Paulo, particularmente na chamada "boca" - no territ¢rio da droga e da prostituição. Nas entrevistas procuramos abordar o histórico de consumo, a vida sexual, as mudanças comportamentais frente a ameaça da AIDS, assim como os rituais de injeções e o compartilhar de seringas. A dissertação começa com a contextualização do aparecimento da AIDS, dos seus grupos de risco, o impacto epidemiológico e suas metáforas. O segundo capítulo descreve a pesquisa de campo, a história de vida dos entrevistados e seus depoimentos. O terceiro cap¡tulo aborda a genealogia da prática de injeções, os rituais de preparo e consumo, as formas de experimentação e os controles informais de uso. Finalmente, a última parte expõe resumidamente as informações sobre o uso de drogas endovenosas, sistematizando os resultados da pesquisa com dados quantitativos, que nos ajudam a constituir diferentes padräes de uso da droga endovenosa, proporcionando graus diferenciados de risco e delinar tendências da expansão da AIDS.